quinta-feira, 4 de junho de 2009

Estar perto...



O que é estar perto? Porque é tão importante para mim? Porque é que quando estou perto me sinto incrivelmente longe?
Mais de 200 Km me separam de onde queria estar... para me sentir "perto". Parece que esta urgência é de agora... quando a distância se evidenciou e se impôs, no entanto e olhando para trás, parece que sempre foi importante para mim sentir proximidade.
Existe uma pessoa no mundo da qual nunca me quis separar, alguém que olhando para trás se misturou comigo, se tormou parte de mim e daquilo que eu sou, de uma maneira que quando tento recordar qualquer coisa do passado, ela está sempre lá: uma memória boa, outra mais assustadora... mas a PRESENÇA estava lá...SEMPRE. O que eu sentia? Lembro-me de sentir protecção e lembro-me de temer que ela partisse. Lembro de dormir agarrada a ela, com a minha perna a abraça-la, numa tentativa de a prender e proteger do que quer que fosse que a viesse tirar de mim. lembro-me de pensar, na minha cabeça infantil, que iriamos estar sempre juntas, para onde eu fosse ela ía, e para onde ela fosse, eu ía também.
Colocava as almofadas à volta do meu corpo ainda pequenino a fazer um "berço" ou deitava-me ao lado dela e deixava-me ficar abraçada a ela e a uma das almofadas que ela me fazia e que eu não largava.
Levava-me pela mão a todo o lado e mostrava-me. Às vezes, creio que me fazia sentir envergonhada quando contava às pessoas aquelas histórias que nasceram comigo, e que ninguém me contou, pois eu sabia-as de cor. Contava, ao meu lado, como se eu, a única testemunha dos acontecimentos não a contasse e alguém falasse por mim e me mostrasse, como quem mostra uma fotografia do que fica depois de uma tempestade.
Eu não conheci a pessoa de quem ela tanto falava. No entanto sei os traços do rosto dela de cor e salteado, distingo-a em qualquer fotografia, e idealizei, idealizei um anjo. Acho que gostava de a ter conhecido.
No fundo, gostava que alguém tivesse falado comigo (mas não era um alguém qualquer) e me tivesse contado a mim, não a outra pessoa comigo ao lado a ouvir e a comprovar o sucedido. Gostava que ela me tivesse falado mais da vida e não da morte. Porque agora, quero a todo o custo estar perto... mas quando estou, sofro, como se todo este tempo tivesse estado num velório, de uma pessoa que em vida esteve morta, ou pelo menos desejou estar.
Quando estou perto, sinto que não é suficiente, continuo a sentir-me longe, continuo a sentir medo da perda e desejo de não a deixar partir. Quando estou longe sinto que o cordão se estica tanto que magoa o coração.
Longe e perto... curioso, depende do ponto de vista. A distância física, na verdade, faz me sentir dividida. O tempo não se estica e temo, que eles sintam que o meu amor é proporcional ao tempo que estou perto.

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